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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

ESTUDO, LEIS, TRABALHO


            Conversando com um amigo de longa data, iniciou-se a nostalgia. Lembrança dos tempos de escola, dos tempos em que vivíamos nas ruas em frente nossas casas, jogando "búlico", futebol, brincando de esconde-esconde... Tempo em que isso era posssível, sem preocupações, sem medos.
Lembrei do primeiro emprego... Guarda Mirim de Foz do Iguaçu! Nossa, como são as coisas... O que foi castigo, na época, hoje se torna motivo de orgulho. Explico...
        Era, eu, um garoto levado, peralta, impossível mesmo. Filho de pais empresários respeitados na cidade, estudante de colégio particular renomado, mas, completamente levado, "aprontão", como diziam os mais velhos. Tinha por volta de 13 anos. Ocorre que, devido a uma suspensão escolar, claro, por causa de alguma coisa que aprontei (pra ser sincero, nem lembro o que foi), meu pai resolveu me castigar. Mas não adiantaria bater, por de castigo... Isso, ele ja havia feito várias vezes. Foi então que resolveu me mostrar como era a vida, fora das facilidades de nossa casa. Conversou com um amigo, que era coronel da Guarda Mirim de Foz do Iguaçu, um lugar que existia para trazer disciplina para jovens de 12 a 15 anos, colocando esses jovens para trabalhar em super mercados, como "pacoteiros"(empacotador), office-boy, etc... Ficou combinado que eu não teria nenhuma regalia, que seria tratado como qualquer outro. Perfeito!!! Era exatamente o que meu pai queria. Isso, para um garoto acostumado a ter tudo que queria, era um baita castigo. Mas, após um período de "adaptação", em que tive que lavar "bandeco", ajudar na limpeza do refeitório, pintar muros, etc..., as coisas mudaram. Acabei por gostar de trabalhar. Empacotava as mercadorias dos clientes, levava até os carros, até as casas, ganhava uma "gorjetinha", além de ter meu salario. Que maravilha. Assim começou minha vida profissional.
            Bom... Na verdade, toda essa explanação vem abrir o bate papo. Era outra época. Hoje em dia, por exemplo, não vemos mais os jovens trabalhando, antes dos 14 anos. Se sou a favor do trabalho infantil? Sim! Não sou a favor do abuso, da escravidão, do trabalho no lugar do estudo. Mas sou a favor do jovem trabalhando, aprendendo, dando valor real ao dinheirinho que está em suas mãos. O trabalho ajuda no desenvolvimento do jovem. O jovem, quando trabalha, tem contato com as pessoas, perde a timidez, adquiri confiança em sí mesmo, se desenvolve. Hoje, vemos muitos jovens inteligentíssimos em frente seus computadores, em frente seus televisores com vídeo games, que não desenvolvem uma conversa. Não desenvolvem conversa, não por não terem o que conversar, mas por não SABER conversar. Os jovens de hoje são mais contidos, tímidos. Já ouví alguns pais reclamando: "Meu filho só tem assunto com os colegas do colégio, e mesmo assim, por chat, mensagens, etc..." Isso é realidade! Pare para pensar. Quem trabalha, aprende a se comunicar com as pessoas, desenvolve melhor capacidade de aprendizado, inclusive na escola. Aprende a enxergar as alternativas em todos os assuntos, e a questionar as coisas. Aprende a ser humano. 
              Mas, não adianta ficar aqui, apenas criticando. Precisamos achar soluções. E soluções que estejam dentro do permitido, legalmente. 
          Existe uma alternativa, um caminho. Não antes dos 14 anos, mas, à partir daí, tem. Aos que chegaram a esta idade, desde que estejam estudando, existe o programa MENOR APRENDIZ. É um programa governamental, e recebe inscrições dos interessados em participar, nos fundos de ação social das prefeituras. Para aqueles que completaram 16 anos, e que também estejam estudando, existem os estágios, que, para serem legais, precisam de um agente(agências). Ou seja, existem possibilidades, mas é preciso procurar, se interessar.


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